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quarta-feira, março 05, 2008

Caroço no Carnaval 2008 (reparem no meu buquê, de plástico, R$ 1 no Saara; e na capa de chuva, R$ 5 no Boitatá)


Eu choro em casamentos. Pode ser até de quase desconhecidos. Tocou a Ave-Maria ou um pastor deu de falar bonito, pronto! Já fui a muitos, peguei até buquê e até hoje entro na fila das solteiras que ainda ousam tentar a sorte. Se me perguntarem, digo que nunca sonhei em entrar na igreja, com daminhas à frente, amigos ao lado e escolhido no altar. Não posso dizer o mesmo do casamento, sonho antigo, nunca realizado, e os 33 se aproximando...

Entrar na igreja é uma coisa, vestido de noiva é outra. Quando criança-adolescente, sempre brinquei de casar com o vestido de mamãe. Magrinha no casório, seu vestido cheio de botões de pérola servia também às amiguinhas da vila, cujas mães não tinham guardado os seus. Minha mãe tinha até a grinalda, que, quase enferrujada, sempre me machucava a cuca na hora da brincadeira.

Já que não sou atriz/modelo nem vou casar nunca na igreja, o carnaval foi a última oportunidade de me vestir de noiva mais uma vez. Foi no Boitatá, este ano, debaixo de chuva. Cheguei de carro e o guardador gritava: "abre o caminho, está chegando a noiva, gente". Disse que eu estava linda, mas que pagasse os R$ 10 pela vaguinha preciosa na Rua da Assembléia. Quando eu liguei o carro, ele voltou atrás e confessou: "é mulher, a gente sempre tenta ganhar mais. Mas pode pagar R$ 5". Então, tá. Já não se respeita mais noivas como antigamente!

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