Lameblogadas

sexta-feira, maio 20, 2005



Reunião do Caroço
e esse poema tem tudo a ver com nosso passado de poeteiros no casarão...

Patagônia (Pablo Neruda)

As focas estão parindo
na profundidade das zonas geladas,
nas crepusculares grutas que formam
os últimos focinhos do oceano,
as vacas da Patagônia
se destacam do dia
como um tumulto, como um vapor pesado
que levantam no frio sua quente coluna
para as solidões.

Deserta és, América, como um sino:
cheia por dentro dum canto que não se eleva,
o pastor, o llanero, o pescador
não têm uma mão, nem uma orelha, nem um piano,
nem um rosto perto: a lua os vigia,
a extensão os aumenta, a noite os espreita,
e um velho dia lento como os outros, nasce.

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