Lameblogadas

quarta-feira, abril 09, 2008


O Caroço somos nozes...














Foto de Marcelo Valle, do Caroço
Mais em http://www.flickr.com/photos/marcelo_valle/


Nova casa


Cinco ou seis anos depois do nosso último jornal impresso, decidimos, meio de supetão, voltar a escrever num mesmo espaço.
Tudo começou no 5º período da faculdade, quando resolvemos, numa reunião no antigo anfiteatro (hoje uma instalação praiana!!!) do Iacs, dar vazão às nossas inquietudes jornalístico-literárias e criar um veículo de comunicação (pompa!) na faculdade. Assim, surgiu o agora mítico Caroço, lá pelos idos de 1999. Impresso na gráfica da UFF, até a universidade entrar numa greve sem fim e enterrar o sonho da 5ª edição, e planejado para distribuição maciça em livrarias, outros campus e onde mais houvesse potenciais leitores, o Caroço acabou restrito a nossos armários e sonhos.

Nesse meio tempo, a internet ganhou força, os blogs encheram a rede e nós ganhamos o mercado profissional. Cada um para seu lado, sem deixar a correspondência diária, nossos textos ficaram confinados a nós mesmos. Eu criei o Lameblogadas, que sobrevive a duras penas, fadado à minha preguiça e desejo de recolhimento.

Mas, retomamos as atividades. E não somos mais os mesmos, temos novos membros (se não fosse a Coelha, não estaria aqui contando nada, porque ela criou o espaço e dá consultoria para os menos entendidos sobre o universo internético) e vamos tentar reencontrar os antigos. Não somos mais estudantes, já somos pais, mães e filhos, somos burgueses, comunistas, vendidos ao capitalismo das grandes corporações, acreditamos no futuro, somos céticos, somos londrinos, moramos em Santa Teresa e em São João de Meriti, somos editores, repórteres, redatores, mestrandos, fotógrafos, assessores, nos mudamos para Botafogo, casamos, separamos, casamos de novo, temos um filho, queremos outros tantos, viajamos para o México e Buenos Aires, Paris, Tiradentes, temos família em Barra do Piraí, Muriaé, Campo Grande, São Gonçalo, São Francisco, Curitiba e Ilha do Governador, somos muito mais, queremos conhecer o mundo e nos espalhar por aí.

A nova casa fica em http://docaroco.blogspot.com/

domingo, março 09, 2008

Flor da idade (Chico Buarque/1973)

A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor

Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor

Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor

Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha


Na redação

sábado, março 08, 2008


Tem Dia das Princesas? Essa é a mais linda, agora com cabelo chanel.









Ao Dia das Mulheres

quarta-feira, março 05, 2008

Caroço no Carnaval 2008 (reparem no meu buquê, de plástico, R$ 1 no Saara; e na capa de chuva, R$ 5 no Boitatá)


Eu choro em casamentos. Pode ser até de quase desconhecidos. Tocou a Ave-Maria ou um pastor deu de falar bonito, pronto! Já fui a muitos, peguei até buquê e até hoje entro na fila das solteiras que ainda ousam tentar a sorte. Se me perguntarem, digo que nunca sonhei em entrar na igreja, com daminhas à frente, amigos ao lado e escolhido no altar. Não posso dizer o mesmo do casamento, sonho antigo, nunca realizado, e os 33 se aproximando...

Entrar na igreja é uma coisa, vestido de noiva é outra. Quando criança-adolescente, sempre brinquei de casar com o vestido de mamãe. Magrinha no casório, seu vestido cheio de botões de pérola servia também às amiguinhas da vila, cujas mães não tinham guardado os seus. Minha mãe tinha até a grinalda, que, quase enferrujada, sempre me machucava a cuca na hora da brincadeira.

Já que não sou atriz/modelo nem vou casar nunca na igreja, o carnaval foi a última oportunidade de me vestir de noiva mais uma vez. Foi no Boitatá, este ano, debaixo de chuva. Cheguei de carro e o guardador gritava: "abre o caminho, está chegando a noiva, gente". Disse que eu estava linda, mas que pagasse os R$ 10 pela vaguinha preciosa na Rua da Assembléia. Quando eu liguei o carro, ele voltou atrás e confessou: "é mulher, a gente sempre tenta ganhar mais. Mas pode pagar R$ 5". Então, tá. Já não se respeita mais noivas como antigamente!

Bem Querer
Chico Buarque/1975
Para a peça Gota d´água, de Chico Buarque e Paulo Pontes

Quando o meu bem querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos os umbrais

E quando o seu bem querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais

E quando o meu bem querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais

E quando o seu bem querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais

E quando o meu bem querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria assim dos animais

E quando o seu bem querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Confesso que, à primeira vista, tive medo dele. Não à toa alguém é conhecido por Pinel, né? Mas, no caso do João, não havia motivo para temer. Criatura doce, do bem, mais um desses "malucos" que freqüentam o Bip Bip, o boteco onde o diferente é tratado como igual (perdoem o clichê).

Quando o João Pinel se aproximou pela primeira vez de mim, quase arrancou a faixa multicolorida do meu cabelo. Foi um gesto um pouco bruto, mas de puro carinho. Ele, percebendo que eu era nova no pedaço que ele conhecia tão bem, tratou de se chegar. Puxou assunto, elogiou a faixa e ficou até meu amigo por um dia.

Fui pouquíssimas vezes ao Bip, muito menos do que eu gostaria, e tenho poucos casos para lembrar do João. Mas um deles é o que me veio à mente ontem, ao saber a notícia de sua morte: a roda de samba comia solta, os amigos cantando Caymmi e o João comentando as letras, embora parecesse estar fora de órbita. Quando puxaram "É doce morrer no mar", ele não parava de interromper: "Doce coisa nenhuma. O mar é salgado, pô". Toda vez que os meninos cantavam o refrão, ele repetia a máxima. Dentro daquela sua lógica, a morte não tem direito à poesia. Dói, é um fim, machuca.

João Pinel escolheu a sua Almirante Gonçalves para morrer. Num raro momento de lucidez, ateou fogo ao corpo numa manhã em Copacabana, bem em frente ao Bip, enquanto o Alfredinho dormia, a uma distância segura dali. Não queria que ninguém o atrapalhasse. Que descanse em paz.

É doce morrer no mar (Dorival Caymmi)

É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar
A noite que ele não veio foi,
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim
É doce...
Saveiro partiu de noite, foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou.
É doce...
Nas ondas verdes do mar, meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá

quinta-feira, fevereiro 07, 2008


Carnaval 2008
Trapiche Gamboa
"Um casal bem brasileiro"

quarta-feira, janeiro 30, 2008

A Flávia, mais conhecida como F., me passou um meme (se quiserem saber o que é, no blog dela, Neguinha suburbana, linkado aí ao lado, tem uma ótima explicação). Mas o negócio é simples: é só responder a umas perguntas e repassar o questionário para os amigos. A comparação é estapafúrdia, mas isso me fez lembrar os antigos cadernos de perguntas e respostas, que as meninas renovávamos todo ano, principalmente no início das aulas, e repássavamos para novas e antigas amigas. Era ótimo. Como eu tinha amigas um pouco mais velhas na vila em que morava, uma vez respondi a um que tinha uma pergunta sobre sexo, que eu não poderia responder, elas avisaram, porque eu era "café-com-leite". Ser chamada de café-com-leite era a pior das humilhações nas brincadeiras: significava que você era pequena demais, criança demais ou mulherzinha demais, sem capacidade física para determinadas coisas. Pior: você não contava pontos, era só figuração. Ah, o horror, o horror!

Mas vamos ao meme:

1. O que você estava fazendo em 1978 (há 30 anos)?

Eu tinha três anos. Segundo minha mãe, gostava de ver a Sônia Braga em Dancin' Days e tinha uma meia de lurex colorida, igual às que ela usava na novela - e que virou febre nacional naquele ano. Pulava da cama cedo quando ela dizia a frase mágica: "vamos à praia hoje". Comia beiju, comprado pelo meu avô, que morava no apartamento de cima e todo dia vinha me perguntar que bicho ia dar hoje: "vaca, vovô", eu sempre respondia. A minha vó me levava ao Horto para passear e, na volta, me dava chiclete, escondido da mãe. "É uma chata", ela dizia sobre a nora.

2. E em 1983, há 25?

Eu tinha 8 anos. Já tinha me mudado para São Gonçalo (que idéia dos meus pais!!!!), estava na terceira série. Não sei o motivo, mas naquela época, para mim, chegar nesse estágio era quase tão importante quanto fazer 18 anos. Minha professora se chamava Regina. Ela não pintava o cabelo, não usava batom nem brincos, mas era casada e tinha três filhos (todos eles estudavam na escola, que se chamava Monteiro Lobato). Por desprovida de vaidade, ela não aceitava que as alunas entrassem em aula com batom, saia muito curta ou unhas pintadas. Chiclete também era proibidíssimo e, quem fosse pego, ficava de castigo! Outro dia a encontrei num casamento, com a mesma sobriedade de outrora e os cabelos ainda mais brancos. Chorei de emoção.

3. O que você estava fazendo em 1988?

Estava comemorando o primeiro campeonato de Ayrton Senna, numa corrida inesquecível em Suzuka, no Grande Prêmio do Japão. Senna largou em 16º, ultrapassou Prost (e muitos outros sem importância agora) e chegou em primeiro. Foi a madrugada mais feliz do ano.
Um pouco antes, tinha comemorado o bicampeonato do Vasco, com gol de Cocada (irmão de Müller) aos 42 minutos do segundo tempo, contra o Flamengo. Lia os jornais compulsivamente, recortava todos as notícias de esporte que me interessava, vinha pra casa correndo da escola pra ver e gravar os gols do Vasco no Globo Esporte. Também gravava as corridas do Senna. (As fitas estão em estado deplorável).

4. E em 1993?

Entrando na faculdade de Economia, fazendo curso de DATILOGRAFIA (naquela época, os cursinhos eram tomados pelas máquinas de escrever, e os computadores ocupavam 1/4 das salas), gostando de axé (iria passar o carnaval em Porto Seguro um ano depois), adorando as chopadas da Economia, detestando a maioria das aulas, sofrendo por achar que tinha feito a escolha errada.

5. O que estava fazendo há 10 anos?

Trocando a faculdade de Economia, com anos de atraso, pela de Comunicação. Conhecendo os meus melhores amigos, formando a comunidade chamada Caroço, conhecendo Glauber, Chico Buarque e Nelson Rodrigues, abrindo meus horizontes intelectuais, aprendendo a poesia, tomando cachaça pela primeira vez, começando a ser o que sou hoje.

6. E há cinco?

Em 2003, comecei a freqüentar o Bip Bip e conheci o amor da minha vida. A partir daí, muito samba, amor, amigos novos, volta dos antigos. Enfim, só felicidade.

É só. Queria ter falado de outros anos também. :)

Agora, passo o meme para Juli, Déa, Gi, Gui e Lu.