Lameblogadas

terça-feira, outubro 17, 2006



Fechada para balanço

Desde que comecei a pensar na vida, lá pelos 23 anos, um pouco tarde, mas paciência, talvez seja isso que embaralhe minha cabeça de vez em quando, fui acumulando as dúvidas e, de vez em quando, elas surgem todas juntas, mas desde então, tem sido uma tarefa árdua, estafante e sem resultado a busca pelo auto-conhecimento. Descobrir-me não é fácil. Já gostei de dançar na academia e de passar horas na praia, fui atrás do trio elétrico num carnaval baiano e chacoelhei a cabeça em shows de rock (tive até disco do Sepultura!!!). Meu passatempo mudou para a leitura, a praia passou a ser coisa de gente fútil (ah quando a gente começa a pensar pensa em cada coisa!!) e dancei samba de raiz na Lapa. Até descobrir que adorava samba de roda baiano, sem nunca ter pisado no Recôncavo, levou um tempo. De qualquer forma, já não é essa a preocupação. Preciso saber de outras coisas: ainda gosto de poesia, um romance me prende mais que uma biografia ou devo adiar ainda mais o projeto de começar a ler mais sobre ciência política? Fico bonita de salto, parei de comer chocolate e meu livro de cabeceira no momento é "Saboreando mudanças - O poder terapêutico dos alimentos: dicas e receitas”.Agora, quando vou à livraria, sempre visito a seção de "Culinária". Não vou ao cinema há uns três meses, mesmo tempo que não ligo o som de casa para ouvir qualquer música ou termino de ler um livro. Estou em fase de transição, isso é claro. Voltei a ter saboneteiras, não sei quantos quilos emagreci, não posso comer fritura, gordura ou qualquer alimento mais "pesado". Tenho comido peixe como em tempos idos, aqueles em que freqüentava o mar com a assiduidade conveniente a uma pisciana. Não tenho mais um projeto imediato, como sempre fiz questão de ter desde que passei a pensar na vida. Não sei o que virá de mim, mal consigo dominar o processo de mudança, aliás não sei se mudança virá. Sei que estou esvaziando, limpando tanto a cabeça como o intestino e o estômago. Fazendo uma espécie de dieta cerebral para ser outra. Ou a mesma, mas um pouco diferente.

3 Comments:

  • Adorei o post!

    By Anonymous Paula, at 3:13 PM  

  • você não sabe a minha alegria ao ler este post. quanta esperança...
    cabeça, corpo e espírito, uma unidade. sempre acreditei nisso.
    fico feliz pela notícia de esvaziamento. nietzsche chamava isso de digerir. hehehe. é assim, se esvaziando, que, segundo ele, a gente começa a pensar de verdade.
    beijos

    By Blogger A metanóica, at 5:02 PM  

  • Gi, aprendi com você o esvaziamento. A maturidade também me deu serenidade para fazer uma coisa a cada dia. E a valorizar o corpo. Compro um creme agora com o mesmo prazer que comprava um livro antigamente. Ah, os 30 e poucos anos...

    By Blogger Cláudia, at 4:55 PM  

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